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Hotelaria debate segurança pública

A segurança pública, fator essencial para o desenvolvimento de atividades turísticas, foi tema de encontros e reuniões do setor hoteleiro ao longo do mês de junho.  No dia 7, o assunto foi abordado na reunião mensal de diretoria do HotéisRIO, realizada no Hotel Nacional, em São Conrado, quando o delegado Allan Turnowski fez uma palestra. Com 27 anos de experiência na Polícia Civil, o convidado foi chefe da corporação, entre 2010 e 2011, e secretário de Estado de Polícia Civil nos últimos 2 anos (até março de 2022), onde liderou um plano de repressão à criminalidade organizada, com foco no combate às milícias.

Em sua apresentação, Allan Turnowski falou sobre o funcionamento da Polícia Civil estruturado em três pilares: inteligência, investigação e ação. Entre os pontos destacados por ele estão o fortalecimento institucional, a despolitização do sistema de segurança, investimentos em tecnologia e estrutura operacional e a valorização profissional, com oferta de capacitação e treinamento.

Defendendo bandeiras como “Ação policial não viola, e sim garante, os direitos humanos” e “Impunidade gera violência”, Turnowski destacou que a segurança pública só vai funcionar se a lei for melhorada e, o policial, valorizado. O anfitrião do encontro, Alfredo Lopes, ressaltou que o “afrouxamento da lei é um fator sobre o qual temos que trabalhar, principalmente junto ao Legislativo Federal, em Brasília”.

Barra, Recreio e região – No dia seguinte, 8, o Windsor Barra recebeu gerentes e coordenadores de segurança dos hotéis da Barra/ Recreio e Região, que se reuniram com as novas lideranças do 31º BPM, responsável pelo policiamento da área, para trocar ideias e levar demandas da parte dos hoteleiros.

Segundo o novo comandante do 31º BPM, tenente coronel Flávio Henrique dos Santos Pires, assim que ele assumiu procurou se reunir com as lideranças locais, como conselhos comunitários e comércio, para ficar a par dos problemas e pedidos da região. “Nossa intenção é fazer uma gestão participativa. Precisamos do apoio da sociedade civil. A integração com outras forças de segurança, como o Barra Presente, já é muito boa e será um ponto primordial na nossa gestão”.

O comandante da Companhia da Barra e Itanhangá, tenente Azevedo, ressaltou a rapidez que os grupos de whatsapp proporcionam. “Tenho o contato de todos os policiais que estão de serviço em cada local. Quando recebemos alguma notificação, encaminhamos para a sala de operações e, depois, para o policial no local, tornando o atendimento muito mais rápido”.

Fórum de Segurança – No dia 29, foi a vez do Ramada Recreio Shopping receber a 19ª edição do tradicional Fórum de Segurança organizado pelo Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município (HotéisRIO), a Associação Comercial e Industrial do Recreio e das Vargens (ACIR) e o jornal Correio da Manhã. O encontro reuniu autoridades para debater mudanças de paradigma no combate à criminalidade urbana.

Na abertura, o deputado estadual e presidente da Alerj, André Ceciliano, ressaltou que o problema de segurança possui raízes muito antigas. “Alguns estudiosos atribuem ao fato de a cidade ter deixado de ser Capital Federal; outros acreditam em uma piora da renda após a fusão com o estado da Guanabara. Acontece que nossos parlamentares em Brasília debatem os problemas do país e se esquecem dos nossos”. Um exemplo, segundo ele, é a questão do aeroporto do Galeão, que teve dois terços de seus voos transferidos para o Santos Dumont para deixar este mais atraente para uma licitação. “Nossos representantes deveriam ter se manifestado de forma veemente”.

O primeiro painel foi comandado pelo promotor de Justiça titular do IX Jecrim (Juizado Especial Criminal da Barra da Tijuca), Marcio Almeida, com a palestra “A importância da atuação e as melhores soluções no enfrentamento aos pequenos delitos”. Para ele, estar em um fórum como esse é poder entender melhor como sua função pode contribuir para a sociedade. Almeida disse que o primeiro passo consiste em cuidar dos registros dos crimes e isso depende de as pessoas entenderem a importância dessas comunicações para a formatação de estratégias. O combate a pequenos delitos também é fundamental, pois muitas vezes escondem problemas maiores. “Às vezes, bandidos se misturam às pessoas que passam esponja nos vidros dos carros nos sinais e aproveitam para assaltar”.

No segundo painel, o delegado Allan Turnowski, ex-secretário da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, apresentou a palestra “Mitos e verdades na Segurança Pública. O Rio de Janeiro tem solução!”. “Muita gente acredita que, quanto mais ações de inteligência a polícia efetuar, haverá menos confronto. As forças de segurança trabalham em três eixos – inteligência, investigação e ação. A verdade é que o número de confrontos diminui quanto mais forte for a polícia, simplesmente por sua capacidade dissuasória. Só uma polícia bem armada faz com que os bandidos decidam não enfrentá-la”.

Outro ponto importante para Turnowski é a ideia – errada – de que a liberação das drogas provocaria o fim da violência. “As pessoas têm que entender que a violência é resultado de uma disputa por territórios. Os traficantes aprenderam com os milicianos que cobrar taxas de moradores e comerciantes das áreas de comunidade é mais lucrativo e dá menos trabalho. Hoje, a venda de drogas responde por apenas 30% do faturamento dessas quadrilhas”.

O jornalista Rael Policarpo, da Rede Record, parceira do evento, fechou o ciclo de debates falando sobre “A Importância dos meios de comunicação no combate à criminalidade”. Para ele, a segurança pública não é responsabilidade apenas da polícia. A imprensa precisa jogar luz nas causas da violência e não apenas nas consequências. “O grande desafio como jornalista é fazer o trabalho sem romantizar o crime. A mídia tem influência tanto no aumento quanto na redução da criminalidade – tudo depende da forma como as notícias são passadas”. Outro problema, segundo Policarpo, é a impossibilidade dos jornalistas de irem às comunidades, mesmo que seja para cobrir outras pautas. “Já faz algum tempo que não entramos nas comunidades para fazer matérias sobre, por exemplo, infraestrutura”.

Para Cláudio Magnavita, vice-presidente da ACIR e jornalista do Correio da Manhã, é muito relevante a presença de autoridades públicas em um fórum organizado pela iniciativa privada. “As autoridades vêm ouvir nossas demandas. Fica ainda melhor com a interação com o público”. Magnavita concordou com Policarpo sobre a forma com a qual algumas matérias retratam a situação carioca. “Determinadas matérias que a mídia apresenta são muito prejudiciais à imagem da nossa cidade e acabam afastando os turistas. Temos que mostrar bons exemplo, o trabalho das forças de segurança na defesa do cidadão”.

Ney Suassuna, presidente da Acibarra, acredita que boa parte da responsabilidade pela situação do Rio às escolhas feitas nas urnas. “A culpa é nossa. A saída é escolher bem quem nossos candidatos e, depois, cobrar dos eleitos. A política é um componente muito importante dessa equação”.

O presidente do HotéisRIO e da ACIR, Alfredo Lopes, ressaltou que no próximo ano o fórum completará 20 anos. “Durante essas quase duas décadas conseguimos o envolvimento da comunidade, de empresários. Nossa cidade tem solução, depende do envolvimento de cada um de nós. O seminário não acaba aqui: vamos criar um grupo de trabalho envolvendo as regiões da Barra, Recreio, Vargens e Jacarepaguá para buscar soluções”.

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