Foto Cleomir Tavares / Diario do Rio

Iniciativa reunirá circuitos turísticos relacionados à cultura negra no Rio e oferecerá atividades profissionalizantes a guias comunitários

A Prefeitura do Rio publicou nesta sexta-feira (01/04) o decreto que cria a Rede Afro-Carioca de Turismo — Rio: a Pequena África Brasileira, iniciativa que reunirá circuitos turísticos relacionados à cultura negra na cidade e oferecerá atividades profissionalizantes a guias comunitários. O projeto é da Secretaria de Governo e Integridade Pública, por meio da Coordenadoria Executiva de Promoção da Igualdade Racial, em parceria com a Secretaria Municipal de Turismo e a Riotur.

Os roteiros deverão ter base comunitária e incluirão terreiros, pontos de gastronomia negra, quilombos, rodas de samba, grupos e centros de capoeira, funk, maracatu e outras danças afro-brasileiras. Também poderão fazer parte blocos carnavalescos, escolas de samba, rodas de rima e projetos ligados às artes visuais, cinema, teatro, literatura e favelas.

O Rio é uma cidade que vive, pulsa e exala sua negritude. A cultura negra é um dos principais elementos formadores da identidade carioca, e diversas instituições da sociedade civil a têm resguardado por meio de projetos de turismo comunitário. A Rede Afro-Carioca vem assegurar o amparo do poder público a estas iniciativas. Queremos mostrar que a Cidade Maravilhosa vai muito além do eixo Centro-Zona Sul: nossos subúrbios, nossas vielas também são turísticos“, destaca o coordenador executivo de Promoção da Igualdade Racial, Jorge Freire.

Além de identificar, mapear e divulgar os circuitos turísticos, a Prefeitura também oferecerá atividades de profissionalização para os guias comunitários que atuam nas instituições membros da Rede, por meio da Secretaria Municipal de Turismo. O objetivo da ação é estimular a geração de renda e instrumentalizar a população que atua com o turismo comunitário.

A Rede Afro-Carioca de Turismo permite valorizar e divulgar ao carioca e ao visitante todos os nossos pontos conectados à herança africana. Isso descentraliza nosso turismo e gera emprego e renda no subúrbio. Além disso, os locais irão se fortalecer mutuamente e nossa secretaria irá apoiar com capacitação aqueles que recebem os turistas em cada espaço. Esse projeto está sendo desenvolvido desde o ano passado e continuará como tarefa da Setur em parceria com a Segovi“, ressalta o secretário municipal de Turismo Antônio Mariano.

O programa se inicia já com 48 instituições cadastradas. A partir deste mês, a Prefeitura realizará um cadastro contínuo de outras iniciativas interessadas em fazer parte da Rede. Tanto este processo como os critérios para a participação serão regulamentados por uma resolução que será publicada em até 30 dias.

Reconhecer o lugar da cultura negra na formação, tanto geográfica como identitária, de nossa cidade é o primeiro passo para fomentar as potencialidades que estão presentes nos mais diversos cantos do Rio, mas que, muitas vezes, escapam aos holofotes. O turismo comunitário pode ser um grande motor do nosso município, desde que receba os incentivos necessários. É isto que a Prefeitura busca com a criação desta rede, que tem tudo para ser uma grande fortalecedora da economia criativa e da pujança cultural de nossas ruas”, afirma o secretário municipal de Governo e Integridade Pública, Tony Chalita.