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Cúpula dos Povos Rio+30 reúne 180 organizações da sociedade civil

Foto: Divulgação
Evento marca três décadas da realização da Rio Eco 92

Mais de 180 ONGs, movimentos, coletivos e redes de porte nacional e internacional estão reunidos na articulação de um grande evento em outubro: A Cúpula dos Povos Rio+30. O evento aproveita o marco de trinta anos da realização de Rio Eco-92, para dar voz à pauta socioambiental, em um período de enorme retrocesso em políticas de proteção social e ambiental no país.

A Cúpula se apresenta como um movimento de convergência para promoção de atividades de articulação e debates técnicos e temáticos entre instituições, organizações e movimentos sociais, no crítico cenário de violação da natureza e dos povos.  As organizações estão envolvidos na promoção de ações e lutas contra os ataques à natureza e violações dos direitos da população.

A proposta é estabelecer um processo afirmativo de acumulação de forças e construção conjunta de proposições socioambientais no âmbito da sociedade civil organizada a serem finalizadas em outubro sob os temas Justiça, Clima, Diversidade, Terra, Trabalho, Teto e Pão em defesa da vida e da soberania dos povos.

O Rio de Janeiro vai sediar de 17 a 19 de outubro a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo – Rio+30 – Cidades, que marca as três décadas da realização da Conferência Rio Eco-92. O evento é organizado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

A Cúpula se apresenta como contraponto a essa voz oficial e empresarial, trazendo a contribuição das organizações da sociedade civil de porte nacional e internacional, movimentos sociais, coletivos e redes ligados ao desenvolvimento sustentável, à defesa da democracia e da justiça social. Sua realização se dará em paralelo ao evento oficial como já ocorreu com enorme sucesso durante a conferência internacional Rio+20, realizada em 2012.

Em paralelo à Rio+20, a Cúpula dos Povos realizou um evento de 12 dias no Aterro do Flamengo, com mais de 20 mil inscritos de todo mundo e uma circulação total estimada em 100 mil pessoas. Foi uma demonstração de força da sociedade civil brasileira e global, que teve participação decisiva não apenas monitorando as atividades dos diversos governos, mas exercendo papel ativo e fundamental na denúncia e proposição de medidas inovadoras para solucionar os graves problemas socioambientais. A Cúpula dos Povos Rio+30, organizada de forma colaborativa por mais de 180 organizações de porte nacional e internacional, garantirá que mais uma vez que a sociedade civil brasileira possa ter uma atuação marcante e condizente com seu status como um ator essencial na defesa dos direitos das populações marginalizadas e contra um modelo de desenvolvimento excludente e causador de graves danos socioambientais, políticos e econômicos.

O objetivo da Cúpula dos Povos Rio+30 é promover a ampla participação popular no debate socioambiental e na visão crítica dos compromissos assumidos por governos e empresários na Rio Eco 92 e que ao longo de três décadas por um lado não foram cumpridos e, por outro, transformaram-se em soluções que não trataram a raiz dos problemas, resultando no agravamento da crise climática e seu enorme impacto social. Desde 2012, se tenta justificar com o batismo de “soluções verdes” novas formas de avanço do capital sobre a natureza, mas o que permanece é a ameaça, traduzida no aquecimento global como um medidor do desastre que se aproxima até 2050.

QUEM FAZ A CÚPULA DOS POVOS RIO+30

A articulação para realização da Cúpula dos Povos Rio+30 existe há cerca de um ano, reunindo representantes de movimentos sociais, organizações comunitárias, grupos de base, organizações feministas, sindicatos, movimentos socioambientalistas, ONGs de defesa de direitos e articulações de povos e comunidades tradicionais. Em um documento elaborado coletivamente, apresentam suas perspectivas e principais questões, tais como: a defesa dos direitos civis, o fortalecimento de canais de democracia participativa, o enfrentamento aos fundamentalismos, a emergência climática, a luta pela saúde dos Oceanos e Rios, a pauta antirracista, com destaque para o racismo ambiental, e mudanças profundas no modelo de desenvolvimento dominante que se baseia na super exploração do mundo do trabalho e na acumulação ilimitada de bens e riquezas por poucos.

INTENSA PROGRAMAÇÃO DE DEBATES PÚBLICOS: A CÚPULA JÁ COMEÇOU

O debate público já começou em março com a realização dos Círculos de Vozes e Saberes da Cúpula dos Povos, uma extensa agenda de reuniões públicas e plenárias virtuais e presenciais para discutir 11 temas que proporcionam transversalidade às pautas das diferentes organizações, movimentos, coletivos e redes participantes. São eles:

  • 1 – Rios e oceanos: Águas para a Vida
  • 2-  Energia para a soberania dos povos
  • 3 – Direito a cidades habitáveis e justas
  • 4 – Destruição do Meio Ambiente e do Mundo do Trabalho
  • 5 – Extrativismo neocolonial dos corpos, povos e territórios
  • 6 – Economia do cuidado x Financeirização da vida
  • 7 – Estratégias pluralistas frente às estruturas racistas e patriarcais
  • 8 – Fundamentalismos e exclusões: ameaças à TERRA e à sociobiodiversidade
  • 9 – Territórios e terras livres para a soberania alimentar e da vida nos campos
  • 10 – Justiça Climática e Sociobiodiversidade
  • 11 – Povos e Comunidades Tradicionais

Têm construído a Cúpula dos Povos representantes de movimentos socioambientais do Brasil e do mundo a exemplo das entidades da sociedade civil global que se reúnem nas seguintes redes e coletivos:

Neste conjunto, a Comissão Facilitadora que auxilia o seguimento do processo de mobilização da Cúpula dos Povos Rio+30 é composta por: Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (ABONG), Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Articulação dos Povos Indígenas do brasil (APIB), Central de Movimentos Populares (CMP), Coletivo Memória e Utopia, Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ), Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento  (FBOMS), Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT Br), Fórum Reforma Urbana, Fórum Social Panamazônico (FOSPA), Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMCJS), Greenpeace, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Via Campesina Brasil, Fridays for Future Brasil, Coalizão Negra por Direitos.

Fonte: Diario do Rio 

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