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Com a limpeza do sistema lagunar da Zona Oeste será possível ter transporte aquaviário no Rio

Sistema Lagunar da Zona Oeste / Reprodução: Internet
Segundo a Iguá Saneamento, com intervenções e investimentos adequados é possível melhorar a balneabilidade da região em 5 anos

A criação e implementação de uma rede de hidrovias em funcionamento no sistema lagunar da Zona Oeste do Rio de Janeiro, em médio a longo prazo, é um projeto viável, segundo o diretor de operações da Iguá SaneamentoLucas Arrosti, que participou do1º Seminário Estadual de Saneamento e Meio Ambiente, promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental/Seção RJ (Abes Rio) e realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). As informações são do Valor.

Para Lucas Arrosti, com investimentos e intervenções técnicas, como reconstrução da profundidade dos canais e coleta de esgoto e saneamento é possível melhorar a balneabilidade das lagoas, e dessa forma, incrementar o turismo na região, além de viabilizar o transporte por hidrovias.

“Existem estudos para uso de hidrovias. Hoje isso é impossível por causa da baixa profundidade dos canais. No entanto, com um trabalho de reconstrução dos canais e do espelho d’água isso vai ser totalmente factível”, afirmou o executivo durante o evento.

A Iguá Saneamento, que ofereceu uma outorga de R$ 7,286 bilhões, quando venceu a disputa pelo Bloco 2 do leilão da Companhia de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae), fornece abastecimento de água e esgotamento sanitário e serviços complementares a mais de 1,2 milhão de pessoas, na Barra da TijucaJacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes. A empresa, que assumiu o controle das operações de saneamento em 7 de fevereiro, atuará ainda em Miguel Pereira Paty do Alferes, após cumprir a limpeza do complexo lagunar da zona oeste, uma das condições da concessão.

Apesar do transporte aquaviário não fazer parte doas obrigações contratuais da empresa, Rosseti afirmou que, em 3 anos, ele poderia ser implantado, através da obtenção do licenciamento ambiental pela empresa, para dar curso a seus projetos no complexo, que envolvem dragagem de lodo, restabelecimento dos canais, espelho d’água e fluxo entre as lagoas.

A limpeza do complexo do lagunar pode ser feita através captação de tempo seco, a grande aposta da Iguá Saneamento, que considera o recurso o mais adequado para a região, por fazer convergir as tubulações de águas pluviais com esgoto e, assim realizar a coleta de dejetos antes do lançamento em corpos hídricos. O modelo é conspirado o mais adequando pelos estudos técnicos, por mobilizar menos recursos e ser de execução mais rápida, para resolver os problemas de emissão de esgotos em grande quantidade na Baía de Guanabara e no complexo lagunar da Barra.

Ainda segundo o representante das Iguá Saneamento, balneabilidade da Zona Oeste pode ser feita, com investimentos em esgotamento sanitário em áreas irregulares e não urbanizadas, no valor de com R$ 350 milhões; instalação de coletores a tempo a seco, com investimento previsto de R$ 126 milhões; e  revitalização dos fluxos e comunicação das lagoas e do mar, que requereria o aporte de R$ 250 milhões.

Com essas intervenções, a estimativa é de que, em 3 anos, os fluxos lagunares estejam restabelecidos, enquanto o modelo de coleta de tempo seco seria concretizado em 5 anos. O executivo destaca que as medidas revitalizarão o complexo de forma que outras atividades possam ser desenvolvidas, o que hoje é impossível graças a degradação do complexo lagunar.

 “O objetivo é revitalizar o complexo, para que outras atividades possam ser desenvolvidas, melhorando a balneabilidade, proporcionando turismo, exploração da pesca e do transporte hidroviário. O que hoje, pela degradação de décadas e pelo aporte de esgoto, não pode ser feito. É um ativo ambiental enorme que não pode ser utilizado pela população”, disse Rosseti ao Valor.

Marcio Salles, diretor de operações da Águas do Brasil, reforçou a posição de Lucas Rosseti quanto à aplicação ao modelo de coleta de tempo seco, como sendo o mais adequado para Zona Oeste. A cidade Paris (França), segundo ele, usou o sistema no Rio Sena e foi bem sucedida.

“A captação de tempo seco é a forma mais rápida de interceptar, por meio de um duto, redes de drenagem pluvial que tem lançamento de esgoto sanitário, direcionando para elevatórias e depois para tratamento o que seria lançado no corpo hídrico. Em Paris isso foi feito, em 1989, às margens do Rio Sena. Agora, a meta da cidade, para os Jogos Olímpicos de 2024, é de que o rio fique balneável”, afirmou o executivo ao Valor. Ele ressaltou, no entanto, que ainda faltam normas regulatórias para a implementação das captações de tempo seco, ações necessárias que a eficiência do sistema.

A vencedora da concessão dos serviços de água e esgoto no chamado Bloco 3 da Cedae, no final de 2021, foi a Rio+Saneamento – sociedade do grupo Águas do Brasil e da gestora de fundos de investimento Vinci Partners -, que arrematou uma área que reúne 22 bairros da Zona Oeste do Rio e outros 18 municípios fluminenses. A outorga que a empresa deve pagar é de R$ 2,2 bilhões.

Águas do Rio, que arrematou os lotes 1 e 4 do leilão da Cedae, tem como projeto investir R$ 2,7 bilhões na captação de tempo seco, na despoluição da Baía de Guanabara, sendo R$ 833 milhões no bloco 1, e R$ 1,84 bilhão no bloco 4. As previsão é de que obras, que ainda dependem de licenciamento e aprovação regulatória, comecem em 2022, mas.

As outorgas dos blocos 1 e 4, somam R$ 15,4 bilhões e abrangem 26 municípios fluminenses e 124 bairros da capital. A previsão de investimento da Águas do Rio Estado, em 5 anos, é de R$ 7,4 bilhões.

A Águas do Rio, a partir do sexto ano, pretende investir no modelo de separadores absolutos, sistema canaliza a drenagem de águas pluviais e de esgoto para tubulações distintas. Esse modelo, segundo a empresa, é o mais adequado, apesar de demandar mais investimentos e tempo de implantação.

Lagoa Rodrigo de Freitas e Lagoa de Araruama são casos bem sucedidos de implantação do sistema de captação de tempo seco. Os problemas identificados do modelo estão relacionados aos períodos de chuva, quando o esgoto continua a ser lançado nas vias hídricas, o que atinge as praias, tornando-as imprópria para uso.

Fonte: Diario do Rio 

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